
Corria o Verão e lembro-me como se fosse hoje…
Estava com um grupos de amigos num café e uma amiga nossa tinha começado um projecto de venda de material de bijuteria que até já tinha algumas pessoas interessadas e estava a explicar o que andava a fazer e tal…
Sendo eu uma pessoa ligada à Web e fã de social networking, Web 2.0 e afins disse-lhe no exacto momento:
- Cria um blog, uma conta no Twitter outra no Facebook, tira umas fotos e expõe o teu trabalho!
Estava em convencido que estava a ajudar quando a pessoa me diz :
- Para quê? Depois os outros vêm e vão todos copiar!
Esta frase ficou-me na mente, uma vez que na semana anterior estava eu a ouvir um episódio do podcast Boag World em que o Paul Boag (Creative Director da britânica headscape) defendia exactamente o contrário…
Mostrem-se!
… dizia ele… Não corram o risco de deixar de mostrar o vosso trabalho aos outros! Criem blogs, contas twitters, contas Facebook, adicionem a experiência ao vosso perfil de LinkedIn, enfim, exponham o máximo que puderem! Claro que os vossos concorrentes vão ver o que andam a fazer mas isso é um mal menor!
Vejamos:
- Os concorrentes vêm o vosso trabalho mas os novos clientes também;
- Existem mais clientes por conquistar do que concorrentes a “derrubar”;
- Os concorrentes começam com atraso uma vez que vocês já têm o know-how da experiência adquirida;
- Pessoas informadas sabem sempre como os projectos começam e quem é o grande impulsionador;
- Tirando raras excepções, o “pensador” inicial está sempre em vantagem;
- Quanto mais conseguirem expor mais haverá alguém interessado;
Em resumo, nunca pensem que guardar as vossas ideias e esconder o que andam a fazer é o mais benéfico que pode acontecer… Pensem bem no que querem fazer, criem conceitos, estipulem objectivos, criem um modelo, uma prova de conceito, enfim qualquer coisa e depois partilhem!
As grandes ideias andam por aí e geralmente, ao partilharmos os nossos projectos, há sempre alguém que pode acrescentar uma mais valia, uma opinião, um reparo menor que vai sempre, mas quase sempre, no sentido de aperfeiçoar o vosso projecto, as vossas ideias e consecutivamente, aperfeiçoar o que estão a fazer!
Obviamente tudo isto com o seu quê de precaução… Lá vem a velha máxima de sempre em que “O segredo é a alma do negócio”…
Sobretudo, a ideia a reter aqui é que nesta era da informação e partilha de conhecimento, ponderem sempre em expor o vosso trabalho. Vão ver que vale sempre a pena!
PS: Parece que a nossa colega já conseguiu expor as suas coisas e pelos vistos com sucesso







Infelizmente a mentalidade de “não mostrar aos outros porque podem roubar a ideia” é muito iminentemente tuga. Temos uma cultura ainda muito pouco democrática, e ainda não percebemos realmente o conceito de falar, poder falar, divulgar… Grandes cientistas portugueses fazem sucesso pelo mundo fora, mas não “cá em casa”. Fechamo-nos em segredo, senhores dos nossos umbigos, e crentes de que sabemos mais que outros.
Ousadia, arriscar, vender, publicitar, …, são palavras que pouco usamos. Devíamos aprender mais com os nossos irmãos brasileiros!
Arrisquem! Mostrem-se! Não há nada como a adrenalida de arriscar, mostrar mais, fazer mais, tentar ir mais longe do que outros já foram! Saiam da vida controlada do dia-a-dia, em que a monotonia se instala e nos consome por dentro!
Just do it!
Filipe, eu sei do que falas quando escreves “Saiam da vida controlada do dia-a-dia, em que a monotonia se instala e nos consome por dentro!”.
Não há melhor combustível que aquele que é criado quando temos aqueles objectivos ousados, quando nos queremos superar a nós próprios, tendo como meta bater o nosso próprio recorde. Criem objectivos, tanto pessoais como profissionais, e lutem para consegui-los. Já dizia o Brian Tracy: ‘All successful people men and women are big dreamers. They imagine what their future could be, ideal in every respect, and then they work every day toward their distant vision, that goal or purpose.’
Façam-no, como eu o irei fazer
não deixo de colocar aqui um excerto de uma conversa que tive há pouco com um grande amigo meu de NY com quem trabalhei no BCP:
“é quase como se em vez de estarmos neste mundo
estivessemos na Natureza
a tentar sobreviver
em Portugal é igual
parece que a Natureza só tem isto para nos oferecer
mas nós temos de ser mais inteligentes
temos de usar aquilo que temos à mão
para podermos ser aquilo que queremos
e não aquilo que nos deixam ser
senão somos apenas animaizitos
que fazemos o que nos dizem”
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!
Pois… O problema aqui é mesmo ter de começar a “activar” mais processos críticos. Juntar comunidades, fazer eventos que tentem com que a massa crítica mostre os seus projectos e faça com que eles andem para a frente. Neste momento estou a preparar um evento sobre tecnologia que mais tarde colocarei aqui. Fiquem atentos!
Achei este tema mesmo interessante e que muitas vezes esta pergunta me passa pela cabeça em vários contextos. Pegando no conceito do Filipe eu arriscava-me a dizer que não é só em Portugal que isto acontece:quando há uma BOA ideia, há sempre os famosos “chico-espertos” que tentam roubar e fazer melhor ou mais barato, no caso de se tratar de algo que possa ser comercializado.
Ora bem, acho que aqui o essencial é fazer o balanço do que ganhamos e perdemos ao partilhar a ideia. Se tivermos um forte know-how e talento, espalhar a ideia só nos vai fazer bem, porque já levamos a vantagem. Caso contrário, vai ser mais complicado.
Mas depois também há outra questão. Hoje em dia já pouco se inventa, pelo que é fácil alguém ter ideias iguais às nossas. Por isso quando temos uma ideia, temos de avançar LOGO! Aprendi esta lição à custa de uma ideia que tive e agora já se encontra implementada, porque alguém teve a mesma ideia e foi mais rápido. E aí, o twitter e as outras ferramentas web 2.0 podem ser fortes impulsionadores.
A tua amiga tem é que ter em mente que alguma outra pessoa pode ter a mesma ideia E PARTILHAR, e aí passa a ter ela a vantagem.
Desejo toda a sorte à tua amiga
, e que ela venha a partilhar a ideia dela em blogs, falando também do sucesso dela
.
Eu gosto da imagem do ciclo de como as coisas são feitas:
1 alguém imagina;
2 desenvolve a ideia;
3 analiza (aprecia) a ideia;
4 implementa;
5 analiza (aprecia) a implementação;
6 volta ao passo 1.
Os problemas são os seguintes:
* pára-se no passo 2 porque alguém critica e quem teve a ideia não tem a força ou conhecimento para desenvolver a ideia por si;
* pára-se no passo 3 porque agora que já está imaginada quase que se pode sentir e então “pode ficar para amanhã porque mais vale começar tarde mas ficar uma coisa bem feita” e porque na verdade o que nos falta é saber fazer.
Agora a partilha não é assim tão incomum por esse mundo fora. Com as guerras de patentes que se vê por aí vê-se muita gente agarrada a ideias sem lhes dar um sentido prático só querendo capitalizar com isso.
É preciso educar as pessoas a saber fazer e não só a saber pensar. Eu ia a um workshop desses!
Como eu te entendo nestes pontos Fábio…
“pára-se no passo 2 porque alguém critica e quem teve a ideia não tem a força ou conhecimento para desenvolver a ideia por si;” Eu acrescentava a isso a palavra “poder” :p